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Category Archives: TRANSformando

TRANSformando: O ENEM

ENEMTodo ano as mesma histórias são destaque após as provas, pessoas atrasadas, desclassificados por tirar fotos da prova. Mas uma história que recebe menos atenção é o constrangimento de algumas pessoas trans para fazer a prova.

O nome no ENEM é o nome dos documentos, o nome de registro. O nome social é diferente.  Por este motivo algumas pessoas passam por processos de identificação diferentes e muitas vezes são submetidas a situações constrangedoras.

O ENEM é apenas um exemplo. Em praticamente todos os locais em que é necessária a apresentação de documentos, pessoas trans enfrentam situações desagradáveis. A foto diferente, o nome em outro gênero, causam desconfiança. Falta de informação.  Não é uma simples questão de preconceito. É um dos resultados de uma sociedade preconceituosa, é falta de informação. Muitas pessoas não conhecem a realidade trans, diferença de nome social e nome de registro.

A declaração binária de gênero, Homem ou Mulher. A falta de informação, falta de oficialização do nome social. Essas, e muitas outras, questões são problemas constantes na vida de trans.

Ana Luiza Cunha de Silva, de 17 anos, teve que sair da sala em que faria a prova, passar por outras duas para ser liberada. Ana não perdeu tempo da prova, pois chegou antes dos portões abrirem.  A aluna precisou preencher o mesmo formulário que os alunos que estão sem os documentos oficiais. Já no segundo dia o tratamento foi melhor e Ana recebeu pedidos de desculpas.

Beatriz Marques, de 19 anos, passou constrangimento no momento da conferência de documentos, que é feita na frente dos demais alunos.

O caso das duas alunas é mais comum do que se imagina, em mais locais do que possamos imaginar. Trans enfrentam situações delicadas o tempo todo, graças a falta de respeito e informação.

Trans precisam de mais visibilidade, respeito e reconhecimento de direitos. Para ontem.

TRANSformando: É ou não é?

É ou não é trans?

 

Muito se discute se transexuais se tornam homens e mulheres após cirurgias e contínua hormonoterapia. A discussão é polarizante.

Como sempre, nesse mundo tão diverso, não existe resposta exata, sim ou não, é ou não é. Não adianta buscar uma versão preto no branco.

Existem infinitos discursos, vou destacar dois. O primeiro defende que trans são trans e pronto. Deve-se assumir a identidade de transhomem e transmulher, sem tentar buscar uma identificação com padrões binários de gênero. O segundo diz que  são sim homens e mulheres, pedem a flexibilização de termos que são, hoje, muito fechado e tradicionais.

Ambos tem seus pontos fortes e levantam discussões importantes. Acredito que seja uma questão de identificação. Não podemos impor o que são, ou não são, transexuais. Importante ressaltar que independente da identificação da  pessoa, não deve haver recusa da transexualidade. Pode-se considerar um homem, ou mulher, e ainda sim se assumir trans.

Ser homem, mulher, transhomem, transmulher, nenhum é superior, inferior. Existe a ideia de uma superioridade de gênero, até mesmo entre homem e mulher, mas a mesma não passa de uma ilusão.

Não tão mais ilusão que todas as nomenclaturas que utilizamos para denunciar desigualdades. Todos os nomes de sexualidade, identidade de gênero, servem apenas a este propósito, denunciar desigualdades, para que um dia possam ser eliminados junto com o preconceito.

Ao fim de tudo, a reposta para a pergunta “É ou não é?”, é um grande e sonoro “DEPENDE”. Depende de como a pessoa se identifica, como ela se sente contemplada, como ela se sente confortável.

TRANSformando: Uma realidade

Criança de 6 anos é reconhecida como transexual. Lulu, como tem sido chamada, se considera menina desde o 2 anos de idade. Nasceu com sexo biológico masculino.

A mudança dos documentos para travestis e transexuais, na Argentina, é permitida sem a necessidade de entrar na Justiça. Os pais da criança entraram com o pedido para alteração de seus documentos. Chegaram a enviar cartas para a presidente, Cristina Kirchner, e o governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, pedindo ajuda. A mudança foi realizada graças a intervenção da Secretaria para a Infância, Adolescência e Família.

Segundo o presidente da Comunidade Homossexual da Argentina (CHA), Cesar Cigliutti, Lulu s tornou “a primeira criança transexual do mundo a ser reconhecida sem a necessidade de uma intervenção judiciária”.

Para alguns pode parecer muito cedo, um erro dos pais, outros aplaudem a situação. Não nos cabe julgar se é adequado, ou não, o pedido. Apenas os pais de Lulu sabem como é a vida da criança. E foram mudados os documentos apenas, não foi feito nenhum procedimento cirúrgico. Para esses sim, é necessário esperar o desenvolvimento da criança.

A história mostra um avanço na mentalidade dos pais, e de membros do governo. Não só existe uma lei que facilita a mudança dos documentos, assegurando o uso do nome social e reconhecimento da identidade de gênero, mas passa a existir uma cultura que respeita os mesmo como algo natural, que uma criança é capaz de identificar.

De tudo isso, só sinto orgulho e alegria. Presenciar mudanças como essa, em um mundo ainda repleto de ódio e preconceito, é gratificante.

Espero que o Brasil, e o resto do mundo, sigam o exemplo de nossos irmãos argentinos. Respeitando a identidade de cada, retirando empecilhos burocráticos desnecessários.

Parabéns a Argentina, aos pais e a linda Lulu, que agora é legalmente reconhecida.

 

 

 

TRANSformando: Terceiro gênero

 

A partir de 1º de novembro pais alemães não serão mais obrigados a registrar seus filhos como homem ou mulher. Terão a opção de registrar a criança como “terceiro gênero”, caso a criança nasça intersexual.   Ao crescer a pessoa poderá escolher o gênero com o qual se identificar.

A Alemanha é o primeiro pais da união europeia a implementar legislação do tipo. A Austrália já permite o registro desde 2011 e a Nova Zelândia desde o ano passado.

Sabine Leuthheusser-Schnarrenberger, Ministra da Justiça, acredita que decisão terá grande repercussão e exigirá uma reforma em todos os documentos emitidos na Alemanha. Passaportes, por exemplo, exigem a discriminação do gênero, a fim de evitar problemas em viagens para fora do país.

Atualmente as leis de casamento alemãs preveem casamentos apenas entre homens e mulheres. Casais do mesmo sexo tem direito a união estável. Não existem leis para outros gêneros além de homem e mulher.

O reconhecimento dos intersexuais no nascimento é um avanço e pode resultar em diversos avanços. As mudanças na legislação, e documentação, que a nova lei pedem, trazem a tona diversos debates sobre os direitos LGBTT em geral. Debate que são levantados, consequentemente, por toda a União Europeia.

A esperança é que tal acontecimento puxo consigo diversos outros, como igualdade de casamento, reconhecimento de trans, o reconhecimento de intersexuais no nascimento em outros países.

TRANSformando: TransHomemTrans

Transhomens

TransHomemTrans é um curto documentário com declarações de transhomens. Falam do processo de descoberta, aceitação, relacionamentos.

Já conversamos sobre transhomens, sobre a invisibilidade deles quando comparados a outros LGBTTs. Não vou descrever, nem fazer uma análise do documentário em si. Bom é o ver os depoimentos sem interferência. Assista e depois continue a ler.

Ler a coluna aqui no DQOGG, ler a respeito, discutir gênero. Por mais que se faça tudo isso, ouvir declarações sinceras de quem vive uma realidade diferente é outra coisa. Acredito que aproximação maior que o documentário, apenas convivendo. Ainda sim é impossível compreender, plenamente, como é vida de um trans.

As histórias contadas tem uma base comum, se pensarmos. Amizades de escola, relações interpessoais, conflitos de sexualidade. Coisas pelas quais a maioria das pessoas passa, mas não da mesma forma. A sutileza do abismo que existe entre as experiências é chocante.

Os processos mais diversos de identificação, todos diferentes das identificações de sexualidade. Alguns até confundindo sua identidade de gênero com a sexualidade.

Obviamente as experiências retratadas não representam a realidade de todos os transhomens. Mostram um pequeno recorte do que é ser transexual, do que é ser transhomem.

 

Produção do vídeo: equipe de comunicação NUH/UFMG

Coordenação: Joana Ziller, Roberto Reis e Tatiana Carvalho Costa

Estagiários: Guilherme Bayara, Isadora Telles e Leonardo Barros

Apoio: Ministério da Educação, Ministério da Saúde/DST-AIDS e Hepatites Virais, Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte/BH de Mãos Dadas Contra AIDS, Prefeitura de Belo Horizonte, Projeto Educação Sem Homofobia/UFMG

Parceria: CELLOS-Trans, GUDDS, FAE/UFMG

TRANSformando: O SUS

Transformando o SUS

Desde de 2008 as cirurgias de readequação sexual são tidas como questão de saúde pública, tendo seus custos assumidos pelo SUS. Mas apenas nos casos de masculino para feminino. Só no fim do ano passado as cirurgias de feminino para masculino receberam o mesmo status. E apenas agora, começo de agosto, é feita primeira cirurgia FTM*.

As cirurgias de feminino para masculino são mais complexas, por razões médicas e sociais. Os próprios hormônios tem regulamentação mais forte que os femininos. A cirurgias consistem na retirada dos ovários, trompas, útero e seios. E apenas estas cirurgias são cobertas pelo SUS. A colocação do pênis ainda é um processo experimental e sem resultados satisfatórios. Também é possível utilizar os tecido dos grande lábios para criar testículos. Os hormônios acarretam no desenvolvimento do clitóris, que pode chegar a 6 centímetros, simulando um pênis.

O reconhecimento pelo Ministério da Saúde é um grande passo. A transexualidade é tida como um transtorno de gênero e não necessariamente uma patologia. A incompatibilidade da identidade de gênero com o sexo biológico pode gerar diversos problemas para a pessoa. A sensação de não pertencer ao próprio corpo é sanada pelos procedimentos cirúrgicos.

O que me incomoda é essa definição “transtorno”. Acho menor pior que doença, ainda que seja algo bem próximo. Se, por enquanto, ser definido como transtorno é a condição para ser considerada questão de saúde pública, que assim seja. Mas isso não quer dizer que não devemos buscar o reconhecimento da naturalidade da transexualidade e a continuidade, e melhora, no atendimento pelo SUS.

Não apenas no SUS, mas a legislação de forma geral, ainda não atende plenamente transexuais. Sendo sincero, ela não atende diversos grupos da sociedade. Cabe a nós agradecer pelas melhorias já feitas e cobrar as demais.

Aos poucos conseguimos as cirurgias pelo SUS para transmulheres, depois para transhomens. Ainda temos uma lista grande de conquistas a serem feitas.

*FTM = Female To Male, Feminino para Masculino

TRANSformando: O padrão de casal

TRANSformando: O padrão de casal e gênero

Uma história de amor. Apenas.

Seria apenas uma história de amor se vivêssemos em um mundo ideal, sem discriminações. Mas não vivemos, então a paixão de Arin Andrews e Katie Hill se torna algo diferente, inusitado. Recentemente o casal virou notícia. Ambos são transgênero, se conheceram em um grupo de apoio e fizeram a transição de gênero juntos.

Arin nasceu com sexo biológico feminino e cresceu como Emerald, Katie nasceu com sexo biológico masculino e cresceu como Emerald.

Natural. O amor dos dois é natural. Mas isso não que dizer que seja compreensível para a maioria das pessoas. É, para muitos, algo novo. Desejo, gênero, sentimentos, atração, identidades. Existem os mais variados, e infinitas misturas.

Qual a sexualidade deles? Não vou saber dizer, mas isso não importa. Se eles sentem atração por um gênero ou outro, por gênero queer, enfim. Eles sentiram atração um pelo outro, ponto.

Definimos ambos como transgêneros, eles se definem como tais, mas não há a necessidade de definir a sexualidade. A história do casal pode é um ótimo exemplo de um relacionamento no qual não costumamos pensar, mas também pode ser um exemplo da indefinição sexual.

O fato de ser uma história fora dos padrões binários, a torna mais fácil de compreender quando se tratando da negação as categorias. A identidade de gênero de ambos está bem definida, mas sua sexualidade pode, de alguma forma, se manter um interrogação. O que é tão fantástico quanto o amor que sentem um pelo outro.

Para mim o grande destaque da história é a nossa reação ao saber dela. O quanto ela impressiona, mesmo sendo tão simples. Um exemplo claro de como a percepção a respeito da diversidade ainda é limitada e carente.

No fim das contas eles são apenas um casal de adolescentes, um casal apaixonado. De verdade, sua história não tem nada de extraordinário. Prestamos tanta atenção, por ser algo ainda incomum. É algo incomum pois ainda vivemos em um mundo preconceituoso e cheio de categorias, separações. Um mundo onde dois adolescentes se apaixonarem se torna algo sensacional, digno de cobertura internacional, pelo simples fato de serem transgêneros.

São apenas um casal, como qualquer outro. É assim que devemos enxergar. Pelo menos deveríamos.

Desejo felicidade ao casal, e uma mudança na nossa percepção do que é `natural`.

TRANSformando: Gênero, o incompreendido

gênero

A diversidade de identidade de gênero ainda é desconhecida por muitos. Por isso suas expressões são desconhecidas.

Vejo uma incompreensão com tentativas de expressar tal diversidade. O uso do ‘x’, por exemplo, é criticado por muitos. Alguns dos críticos são militantes inclusive. Trocar as letras ‘a’ e ‘o’ por ‘x’ não é para simplesmente retirar o gênero masculino ou feminino, é uma renúncia ao binarismo, é a representação de uma incógnita, é a expressão da infinidade de possibilidades na identidade de gênero.

Queer, transhomem, transmulher, travesti, intersexo, homem, mulher, são apenas algumas identidades de gênero que conseguimos definir. Existem milhares de outras identidades, milhares de misturas.

Pode parecer uma bobagem, mas a língua portuguesa é extremamente machista, binarista e limitante quando se trata de gênero. Colocar um “x” nas palavras não é um ato desnecessário, exagerado. É um ato de protesto, é um ato de inclusão. “Aqui cabem todxs!”.

O “x” torna-se também um exercício de identificação dos nossos padrões. Ao ler “todxs”, qual gênero você pronuncia?

O conceito de homem e mulher se tornou algo tão natural que tentamos aplica-lo em todas as relações, comportamento, objetos. Tentamos dividir tudo em dois, enquanto não deveríamos tentar dividir em nada. Definir todos os gêneros é inútil, somos incapazes de definir toda essa diversidade. Por mais que acreditemos que conseguimos unir as pessoas em determinados grupos, isso jamais será possível. As nomenclaturas são muito simplistas.

Definimos as identidades para buscar os direitos que lhes faltam, evidencias a exclusão de uma parcela da população. Mas cada vez mais pessoas não se sentem contempladas por tais definições, elas não se encaixam nas caixas que definimos.

O uso do “x” amplia isso, ele indefine e automaticamente inclui todxs. Ele aponta para onde queremos chegar, o lugar ideal. Onde não há definição de gênero, de sexualidade, onde a diversidade simplesmente existe, sem necessidade de tanta separação. Onde os direitos humanos existem de fato.

Na língua que é preto no branco, o ‘x’ é o arco-íris.

TRANSformando o Brasil

Transformando o Brasil

Olhe você… Deveria ter programando a postagem deste texto na manhã de segunda (24/6), para que ele fosse publicado 14h. Mas esqueci. Na mesma tarde, Dilma fez um pronunciamento. Resultado, mudei o texto quase que por completo.

Havia escrito um texto que foge um pouco do foco principal da coluna. O assunto aqui é o universo Trans e a identidade de gênero. Mas com a onda de manifestações achei mais do que adequado falar de transformação do país, e isso não exclui o foco da coluna.
“Desculpe o transtorno. Estamos mudando o país.”. Quando essa frase foi escrita, acho que não tínhamos dimensão do quão verdadeira ela era. O “acordar” da parcela adormecida da população deu a força necessária ao movimento dos que não dormiam. As manifestações, cada vez maiores, pelo país e pelo mundo. Discussões políticas. Em todos os lugares, o assunto é esse. O assunto é o Brasil, seu povo, sua política, sua polícia, sua realidade. E mais importante, o que vamos mudar nele.

As transformações não são apenas políticas, são de pensamento, da visão que temos de nós mesmos. Um número crescente de pessoas está interessado em discutir, buscar informações, cobrar seus direitos. Assim como várias pessoas, já expressei minha preocupação com certas confusões, com pessoas perdidas que ainda não conseguiram definir o que lhes deixa irritadas. Mas isso não tira delas o direito de protestas, pois elas tem motivos. Isso apenas faz que tenham a obrigação de refletir e saber seus motivos, para que possam cobrar de forma eficaz seus direitos. Não confundam com cobrar um foco. Pois temos muito o que cobrar, não precisamos focar nossas manifestações. Muitos foram as ruas sabendo o que cobrar. Muitos descobriram, de fato, no meio de tudo. Outros ainda estão definindo e descobrindo. Continuemos.

Dilma, por conta das manifestações, fez um belo pronunciamento hoje, segunda-feira (26/6). Reunindo 27 governadores e 26 prefeitos de capitais, foram anunciados um plebiscito e 5 pactos (informações de uol):

1- Pacto por responsabilidade fiscal nos governos federal, estaduais e municipais;

2 – Pacto por reforma política: incluindo um plebiscito popular sobre o assunto e a inclusão da corrupção como crime hediondo;

3 – Pacto pela saúde: “importação” de médicos estrangeiros para trabalhar nas zonas interioranas do país. A presidente anunciou ainda novas vagas de graduação em cursos de medicina e novas vagas de residência médica;

4 – Pacto no transporte público: a presidente afirmou que o país precisa dar um “salto de qualidade no transporte públicos nas grandes cidades”, com mais metrôs, VLTs e corredores de ônibus;

5 – Pacto na educação pública: pediu mais recursos para a educação. A presidente voltou a falar que é necessário que o Congresso aprove a destinação de 100% dos recursos dos royalties do petróleo para a educação.

Comentou ainda “É preciso saber escutar as vozes das ruas. É preciso que todos, sem exceção, entendam esses sinais com humildade”. Existem muitas outras coisas a serem feitas? Sim. Mas Não posso deixar de parabenizar a presidenta. E logicamente, não posso deixar de parabenizar a todos nós. Isso é o que acontece quando nos mobilizamos de forma massiva, nas ruas e na internet, quando causamos impacto. Importante ter em mente que, assim como nós, a presidenta não faz nada sozinha. É necessário cobrar ações de todos os poderes, e continuar cobrando nossos direitos.

O plebiscito é para a aprovação de uma reforma política e uma constituinte exclusiva. E faço minhas as palavras da presidenta “(…)reforma política que o país tanto necessita”.

 

TRANSformando: A performance de gênero

Performance de Gênero

Alguns dias atrás o senhor chinês de 66 anos, que descobriu é biologicamente uma mulher, se tornou notícia.

Fazendo um check-up, por causa de inchaço no abdomem, descobriu que era mulher. O problema eram cistos nos ovários. Ele possui um caso muito raro de combinação de dois distúrbios genéticos. Os detalhes do caso você lê lá no G1, ou em outro site de notícia.

A questão é que ele viveu toda a vida acreditando ser homem, graças aos distúrbios genéticos sua anatomia lhe permitiu acreditar em tal fato. Ela se sentiu como homem, se identificou como homem e viveu como homem a vida inteira. Um ótimo exemplo da performance de gênero. Ainda acredita-se que homem e mulher são identificados no momento do nascimento, ignorando todas as possíveis identidades de gênero.

Gênero é construído socialmente. Ser mulher no Brasil exige uma performance completamente diferente de ser mulher da Arábia Saudita. As expressões de gênero não são instintivas, são criadas por nós, e a identificação com um determinado gênero ou outro é possível para qualquer sexo biológico, podemos nos identificar com elementos isolados, com nenhum.

O chinês decidiu continuar a vida como homem e tomar hormônios para tal. Ele é, e sempre foi, um transhomem. Sua identidade de gênero é masculina, não importa se descobriu que tem ovários.

Quem nasce “dentro dos padrões”, nasce com um manual de gênero a ser seguido. Apesar de ser geneticamente uma mulher, o chinês seguiu o padrão que acreditava corresponder a seu corpo. Mas tais padrões não são padrões de verdade. São mais maleáveis do que acreditamos, adaptáveis, mutáveis. Gênero é a performance que você faz todos os dias da sua vida, performance que deve ser feita como você preferir, como te fizer feliz. Sem se prender a ideias definidas sem razão alguma.